quarta-feira, 22 de abril de 2009

Feriadão!

Basta ter um feriado para o tal do seu Firjan aparecer com uma nota sobre o prejuízo financeiro causado pelo dia livre. Prejuízo esse na casa dos bilhões, quantia impressionante, afinal de contas, o seu Firjan nunca lança uma nota quando você chega em casa, depois de trabalhar o dia todo, dizendo que aquele dia valeu um bilhão de reais... Tudo bem, grandes empresas, sem sombra de dúvida, deixam de faturar uma grande quantia de dinheiro por causa dos feriados, mas existe o outro lado. As pessoas costumam viajar nos feriados, e normalmente para o interior (algumas para o interior da terra, sete palmos), movimentando o comércio dessas cidades de forma caótica, gerando lucros altos que fazem muito bem às cidades pequenas. Se as pessoas bebem até cair, elas dão lucro a partir da cerveja e Cia, bares lucram, distribuidores lucram e fábricas lucram. Quando viajam, movem o mercado hoteleiro e de aluguel por estadia, consomem combustível para os carros ou usam transportes coletivos. Se ficam em casa, gastam mais energia elétrica, água e comida do que se estivessem trabalhando, e de quebra, diminuem o risco de acidentes na estrada, sem falar na poluição gerada pelo uso do carro.

Tudo isso foi escrito somente para dizer que no feriadão ninguém deixa de ganhar. Esse um bilhão não ganhado, quando não é um bilhão economizado é um bilhão divido com cidades e comerciantes menores, e viva o feriadão!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Leon Eliachar

Melhor que citar ou colar trechos é oferecer obras completas.

Encontrei links com 2 obras completas do Leon Eliachar!

Homem ao Cubo

http://d.scribd.com/docs/1mfe6zoubzsgkmv2vq1r.pdf

A mulher em flagrante
http://www.scribd.com/doc/7022740/Leon-Eliachar-A-Mulher-Em-Flagrante

terça-feira, 7 de abril de 2009

Leon Eliachado

Leon Eliachar

Fugindo da pomposidade comum às efemérides, vou fazer o “mês Leon Eliachar”, onde o “mês” terá a duração necessária para apor nos posts alguns trechos de livros do Leon.

Como início, e introdução concernente, recomendo o bom site de biografias:
http://www.releituras.com/leoneliachar_bio.asp

...

Do livro “Homem ao Zero (Descongestionante Cerebral)”, 1977. Pg 43

“A Valentia
O homem valente nunca anda armado, mas em compensação vive muito menos. A verdadeira coragem é ter coragem de dizer que não tem coragem. O homem só deve ser valente dentro de casa, até a mulher chegar. Num duela a faca, leva mais vantagem o que está de revólver. No avião, a coragem é passageira. Todo covarde tem seu dia de valentia, geralmente é o último. De cada dez valentes, nove estão enterrados: o décimo se acovardou. Valente é o índio: já entra no filme sabendo que vai morrer. O noivo também é valente: casa com uma mulher, sabendo que vai enfrentar duas. Já o trapezista não é tão valente quanto parece: valente, no duro, é o espectador que senta embaixo do trapézio.”.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Culto do Amador

Andrew Keen, ex-empresário da área de tecnologia , em seu livro “O Culto do Amador” , acusa a Internet de ser um acúmulo de tolices criadas por uma multidão de narcisistas ansiosos para se expressar on-line. O fato é que com a Internet hoje, qualquer pessoa que tenha um computador pode tornar disponível em escala mundial uma música, um conto, matéria, etc, de sua autoria. Keen vê nessa possibilidade a ruína moral da rede mundial de computadores, onde pessoas comuns seriam músicos, jornalistas, escritores, críticos, e a autoridade dos especialistas descartada frente às diversas outras fontes.
“(...) a conseqüência real da revolução da Web 2.0 é menos cultura, menos notícias confiáveis e um caos de informação inútil. Uma realidade arrepiante nessa admirável nova época digital é o obscurecimento, a ofuscação e até o desaparecimento da verdade”.

O livro de Keen traz provocações válidas, apesar do exagero e fatalismo usado no discurso, como quando se refere a “verdade”, onde parece tentar classificar a secular questão da verdade como um problema introduzido pela Internet:
“A verdade de uma pessoa torna-se tão ‘verdadeira’ quanto a de qualquer outra. Hoje a mídia está estilhaçando o mundo em um bilhão de verdades personalizadas, todas parecendo igualmente válidas e igualmente valiosas”.

Andrew Keen fundou na década de 1990 o website Audiocafe.com que distribuía música em formato digital e buscava portabilizar a música, tornando possível, segundo o autor, “ouvir a obra inteira de Bob Dylan no meu laptop, ser capaz de baixar os Concertos de Brandenburgo de Johann Sebastian Bach no meu telefone celular”.
A cruzada de Keen contra a Internet se iniciou após o evento FOO Camp, em 2004, que se trata de um evento dedicado à discussão do “futuro da mídia”. No encontro em questão estava sendo discutida a idéia de fazer da Internet uma mídia mais democrática, de forma que público e autor fossem a mesma pessoa, e essa foi a ruína da boa relação de Keen com a Internet.
Num exercício de especulação, pode-se afirmar que websites como o Audiocafe.com são “frágeis” por terem que pagar direitos autorais, implicando em cobrança pelo uso das músicas ou necessidade de possuir anunciantes de publicidade para obter renda, o que, em contrapartida, insere banners com anúncios. O download criminoso de mp3 por meio de servidores remotos e peer to peer impera por conta da ilegalidade não cobrar.
As críticas veementes que o autor faz à pirataria digital que causa prejuízos na indústria fonográfica; à música colaborativa e às músicas que “músicos que gravam no sótão” têm, em parte, razão. Em oposição às críticas, pode-se afirmar quanto às duas últimas, que diferentemente do que ocorre com a televisão, onde o conteúdo é lançado em direção ao sofá da sala não importa qual canal você escolha, na Internet você acha somente se procurar, e a opção de continuar a sofrer com o amadorismo está, perdoe o clichê, ao alcance de um clique. No que tange ao crime de pirataria digital, existem meios para se oferecer opções atraentes frente a ela, como os casos em que o próprio artista oferece sua música, como fez, por exemplo, Peter Gabriel e sua plataforma we7.com onde suas músicas estão disponíveis para download financiados por anúncios publicitários.
Se o problema é o surgimento de um conteúdo tão imenso quanto cheio de asneiras onde seria um desafio “separar o joio do trigo”, ele não surgiu com a difusão e evolução da Internet, ele só persiste. A cultura, como identidade própria de um grupo humano em um território e num determinado período, é fruto de um processo democrático e dinâmico, e existe, dentre outros fatores, pela manifestação das massas, seja uma manifestação de superficialidade ou de profunda erudição.
“A nova internet tinha a ver com música feita pelo próprio usuário, não com Bob Dylan ou os Concertos de Brandenburgo. Público e autor haviam se tornado uma coisa só, e estávamos transformando cultura em cacofonia”.
Nietzsche, no século XIX, no alvorecer da reprodutibilidade técnica com a fotografia e o cinema, já discutia a necessidade de esquecer para tornar possível a criação . Correndo o risco de deturpar o significado da inquietação de Nietzsche, pode-se especular que talvez o momento em que se deixa de lado o célebre, seja o momento em que se está aberto para encontrar algo novo e que valha a pena entre todo o lastro existente, uma novidade digna de celebração.
Talvez Andrew Keen esteja tão certo ao afirmar que a Internet é um acúmulo de tolices criadas por uma multidão de narcisistas ansiosos para se expressar on-line, quanto Machado de Assis que certa vez escreveu sobre os epitáfios serem “uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou”. Que mal há em se tentar, ainda em vida, fazer ao menos uma faísca visível por além da sombra do anonimato?

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