quinta-feira, 14 de maio de 2009

Classificação... o DNA de um arquivo?

Richard Dawkins escreveu em seu livro, “O Relojoeiro Cego”, que nós, seres vivos, somos apenas moléculas e o que nos faz sermos seres humanos e não esponjas marinhas é a organização dessas moléculas, o DNA.

Arrisco afirmar que, no que concerne aos documentos, o que os faz serem documentos de arquivo e não uma coleção é a sua organização, ou seja, se foi respeitada a proveniência e as relações de estrutura, produção e função. Um amontoado de papéis completamente desorganizado não vai muito além do amontoado de papéis desorganizado que é. A organização aplicada a ele é que o torna um arquivo, uma coleção, ou material para reciclagem. Um arquivo é produto também da organização a que foi submetido, seja ela a “ordem original” ou intervenção posterior. Antes da organização o que há é um acumulado de documentos com alguma pretensão arquivística, no máximo um arquivo em potencial...

Pode-se atribuir aos documentos de arquivo a característica de prova que só é exercida plenamente quando esses documentos formam um todo orgânico, quando as relações entre cada unidade não foram perdidas. A veracidade de um documento é passível de ser avaliada com base em tantos outros que o antecedem ou sucedem, há uma relação sinérgica entre documentos de arquivo onde o conteúdo (e a veracidade) de um documento se apóia no de outro, formando um conjunto coeso e interdependente.

Acerca do princípio da proveniência, Rousseau e Couture*:
“há um 1º grau para o princípio da proveniência que permite isolar e circunscrever a entidade que constitui um fundo de arquivo no que respeita ao modo como este se distingue de qualquer outro. Além disso, há um 2º grau que visa o respeito ou a reconstituição da ordem interna do fundo”.

...

Alguns meses atrás, eu estava muitíssimo entusiasmado com a idéia de pesquisar e escrever algo sobre a Classificação no âmbito da arquivologia, abordando a, para mim ainda pouco conhecida, Teoria da Classificação, entre outros conceitos.

O início do post não é resumo ou introdução de um artigo. Trata-se do ponto exato onde eu dei por encerrada a minha pesquisa, decisão tomada, coincidentemente, após ler o texto “Classificação como função matricial do que-fazer arquivístico” de Renato Tarciso Barbosa de Sousa.

O texto supracitado satisfez todas as minhas indagações de hoje com relação ao tema (menos em relação à Teoria da Classificação). Após um espasmo teórico conceitual minha motivação para dar continuidade à pesquisa foi suprimida por completo.

Tá certo, ta certo! Criar uma postagem longa dessa somente para dizer que eu não poderia escrever algo que adicionasse uma idéia válida que fosse ao texto do Renato Sousa pode parecer exagero, mas em tempos de desemprego; quase tão mortal quanto a gripe suína é o tédio!

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*COUTURE, C; ROUSSEAU, J.-Y. Os fundamentos da disciplina arquivística.
Colaboradores: Florence Ares, Chantale Filion, Marlene Gagnon, Louise Gagnon-Arguin,
Dominique Maurel. Trad. Magda Bigotte de Figueiredo. Lisboa: Dom Quixote, 1998. 356p.


Arquivística: temas contemporâneos: classificação, preservação digital, gestão do conhecimento/ Vanderlei Batista dos Santos, Humberto Celeste Innarelli, Renato Tarciso Barbosa de Sousa, organizadores. DF: SENAC, 2007.

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