quinta-feira, 30 de julho de 2009

E agora, gafanhoto?

“(...) documento arquivístico tem que estar afixado num suporte. Isso quer dizer que dados contidos em bases de dados dinâmicas, isto é, que mudam constantemente, não podem ser considerados documentos arquivísticos. Para tanto, esses dados teriam que ser reunidos e seu conteúdo, devidamente articulado, fixado num suporte.”


RONDINELLI, Rosely Curi. Gerenciamento arquivístico de documentos eletrônicos: uma abordagem teórica da diplomática arquivística contemporânea. 4 ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005. Pg 56.


"As páginas de um “website” são documentos arquivísticos?
R.: Sim, na medida em que tais páginas se constituem em documentos produzidos e recebidos no decorrer das atividades da instituição que as criou e, portanto, servem como fonte de prova dessas atividades."

Date Posted: 10:31:21 11/24/03 Mon
Author: José Maria
Subject: Documentos Eletrônicos - CTDE/AN
http://www.voy.com/19210/2/383.html



"§2º Considera-se documento arquivístico digital o documento arquivístico codificado em dígitos binários, produzido, tramitado e armazenado por sistema computacional. SÃO EXEMPLOS DE DOCUMENTOS ARQUIVÍSTICOS DIGITAIS: planilhas eletrônicas, mensagens de correio eletrônico, SÍTIOS NA INTERNET, bases de dados e também textos, imagens fixas, imagens em movimento e gravações sonoras, dentre outras possibilidades, em formato digital."

RESOLUÇÃO Nº 20 , DE 16 DE JULHO DE 2004
Link para a Resolução: http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=71&sid=46

O que viria a ser uma "base de dados dinâmica - onde dados mudam constatemente -"? (e ela já não estaria "fixada" num suporte?)

Ok. Entendo a afirmação da Rondinelli como a necessidade de se ter a informação registrada de forma estática, num momento (forma ou tradição documental) em que não haja mais modificações e em que a tramitação* esteja encerrada, ainda que a as consultas ocorram para sempre.

*entendo que a transação (que implica alteração) esteja incluída na tramitação pode-se incluir também as datas de transmissão e recebimento.

Mas e a resolução do CONARQ e a afirmação, abundante em lógica, de quem acredito ser José Maria Jardim?


Não estou, como se diz, "procurando chifre em cabeça de cavalo"... Mas vá lá se não pode ser um unicórnio!?


"Considera-se documento arquivístico digital o documento arquivístico codificado em dígitos binários, produzido, tramitado e armazenado por sistema computacional."

Acho que no trecho acima se encontra a minúcia necessária. Seria um documento tramitado e armazenado, isso corrobora com o que eu acho que a Rondinelli quis dizer.

Isso me traz, em sequência, outra questão: O que seria um website tramitado, estático? Páginas da web estão sempre sendo atualizadas, não são como livros em que as atualizações vêm na forma de nova edição...


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sociedade da informação = sociedade da inexperiência?

Outro dia eu estava olhando o site de um famoso portal de notícias onde na seção sobre estavam respondendo algumas cartas de leitores. Dentre os comentários que fizeram sobre a reportagem, constavam alguns indignados com o fato de leitores terem feito perguntas elementares como “quando é a hora certa para trocar a marcha”.
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Sim! Estamos no que chamam de sociedade da informação ou sociedade do conhecimento. Um mundo com informação farta, seja ela geral ou específica. Por intermédio da internet conseguimos não só acumular informações em servidores, conseguimos torná-la acessível aos indivíduos ávidos por conhecimento.
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Fiquei pensando sobre certos aspectos... Esse novo mundo novo com tanta informação não poderá nos transformar em seres devoradores de manuais? A facilidade para acessar todo tipo de informação e a existência de inúmeros manuais para inúmeras atividades das mais simples às mais complexas, não nos faz fugir da experiência de tentar fazer e aprender sozinho? Não nos tolhe a capacidade de aprender por meios menos didáticos e formais?
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Eu fico abismado com os tutoriais bestas que vejo. Há poucos dias, procurando um bom tutorial de excel, me deparei com uns que destinavam um capítulo inteiro a criação de fórmulas para somar... Fórmulas simples de somar eu e mais de um milhão de pessoas aprendemos em menos de 10 minutos em frente a uma planilha! Não precisamos de um tutorial que nos afastará da experiência de descobrir sozinhos...
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Vamos a mais previsões apocalípticas e teorias da conspiração:

O tal “conhecimento” na internet é basicamente a pura repetição do que existe, e o indivíduo, de tanto tê-lo assim, fácil e direto, se acostumará a repetição contínua


As gerações futuras serão de molengões leitores de manuais para coisas simples como trocar uma lâmpada? Vide o pessoal que paga curso de troca de lâmpadas para empregadas domésticas...

Uma "sociedade da informação" não poderia descambar para uma sociedade mais dependente dos produtores de informação e cada vez menos capaz de produzir e pensar, apenas reproduzir. Incapaz de aprender por experiência própria, uma coadjuvante na própria existência, somente lendo o que é escrito por uma elite dominante?
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Gente que pouco faz e muito lê, altamente dependente de coordenadas a serem passadas, gente quase incapaz de aprender fazendo ou observando. Uma elite dominadora de onde emanam todas as coordenadas que as massas recebem como conhecimento...


----Essa paranóia já ocorreu com relação a tecnologia, com homens se tornando seres sedentários e extremamente dependentes da tecnologia (lembrando que o computador é uma extensão de nossa memória e raciocínio matemático)---Isso me lembra o Wall*E, onde as pessoas viraram imensos bebês, tudo o que faziam era amparado por inúmeros aparatos tecnológicos...----

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Não luto por um mundo de conhecimento* adquirido somente a partir da prática! Sou um leitor assíduo, passo horas navegando na inet e coleciono tutoriais que nunca precisei abrir. Acho que certas coisas ainda devem ser aprendidas na prática, sem que, com a leitura de tutoriais e manuais, se abrevie o estranhamento do primeiro contato.

Acredito que a internet, e as fontes formais em geral, não sejam vistas como um oráculo e únicas fontes de informação, mas não me foi um grande exercício de imaginação pensar um "futuro terrível" e manualístico...


Talvez a internet possa, futuramente, ser um outro mundo onde poderemos viver e interagir ilimitadamente como o Neo na matrix, mas não hoje. A vida (ainda) está lá fora...


Falando nisso, o episódio Guitar Queer 'O do South Park, gratuitamente disponível na internet, retrata um pouco disso...


* Segundo Aldo Barreto, conhecimento é a informação internalizada pelo indivíduo, seria mais ou menos o resultado do confronto informação recém adquirida versus conhecimento prévio do indivíduo.

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