terça-feira, 21 de setembro de 2010

Buckminster Fuller

Outro dia, numa conversa com o pessoal do trabalho sobre o risco de se especializar demais em algo - falávamos de um professor tão especializado em mosquitos que era capaz de identificar a espécie só de vê-los a olho nu* - e transformar-se em uma "fossa oceânica"...
...de cara lembrei de um sujeito: Richard Buckminster Fuller (1895 — 1983).

Sinergia significa que o comportamento da totalidade dos sistemas não pode ser prognosticado com base no comportamento de suas partes separadas.
R. Buckminster Fuller

O universo é sinérgico. A vida é sinérgica.
R. Buckminster Fuller

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Conhecí o "Bucky" através do texto "SINERGIA, CRIATIVIDADE E COMPLEXIDADE" de Humberto Mariotti. Essa interessante obra discorre sobre, entre outras coisas, o risco que a ultraespecialização traz para o indivíduo. Também apresenta o sujeito que emprestou o nome ao título desse post, um autor transdiciplinar que afirmou que a inteligência e a criatividade humanas são ilimitadas e, justificando a afirmativa, escreveu sobre matemática, design, religião, filosofia, desenvolvimento urbano, naturalismo, arte, literatura, poesia, indústria e tecnologia.


"(...) ser um superespecialista implica correr o risco de obsolescência. Significa tornar-se um sistema fechado dentro de um sistema maior sem trocar energia (informação) com ele e, assim, entrar em entropia".
Mariotti

“Um especialista é uma pessoa que sabe cada vez mais sobre cada vez menos coisas, e sabe tanto e tão bem que, no limite, acabaria sabendo tudo sobre nada”.
Strauss

Fica a dica de conhecer não só o criador do domo geodésico, Buckminster Fuller, mas também o não menos interessante Humberto Mariotti.


* o tal professor, felizmente, orientava o seus alunos a não se especializarem muito em uma coisa apenas, era preciso antes experimentar muito... Mas talvez ele só não quisesse concorrência!!!
(isso me lembra do episódio dos Simpsons em que o Moe vira juiz ao lado do Simon Cowell)

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

100 título

Li a inocente notícia de que na Europa o GPS não usará mais apenas a complexa coordenada “vire à esquerda a cem metros”, passando a utilizar pontos de referência que pessoas dariam, como “vire depois do bar”.

Relembrando um post no estilo teoria da conspiração sobre Twitter e 1984, pensei em algumas coisas...

A onda do momento é simplificar tudo:
- rede social em 140 caracteres (compressão morfológica?);
- Querem acabar com a barra de endereço dos navegadores
- WII e Kinect – para que muitos botões se você sabe se mexer?


Dando uma de Sócrates – que teria dito que a escrita limita o pensamento e destreinaria a memória:

- Simplificar coisas que já são extremamente simples não nos faz exercitar menos a memória e o raciocínio? Dessa forma menos sinapses seriam desenvolvidas?
- Até onde vale a pena ter mais informação por bit, e de mais fácil compreensão, em detrimento de um processo de interiorização mais completo? - Um livro ou o resumo comentado dele?

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Aldo Barreto em seu texto “Políticas de monitoramento da informação por compressão semântica dos seus estoques”, discorre sobre alguns aspectos acerca da assimilação da informação por um indivíduo:

“Como agente mediador na produção do conhecimento, damos o conceito de assimilação da informação, como sendo um processo de interação entre o indivíduo e uma determinada estrutura de informação, uma ação com apropriação que, vem gerar uma modificação em seu estado cognitivo inicial, produzindo conhecimento, que se relaciona corretamento com a informação recebida”.

Me apropriando muito mal das idéias de Aldo Barreto, posso dizer que na leitura/interpretação d um texto “temos um processo de cognição que transforma a informação em conhecimento pela correta apropriação desta informação pelo sujeito receptor”.

Logo,
será que a qualidade da informação, a forma como ela está estruturada (mensagem twittada ou o exemplo da escolha entre livro ou resumo comentado (já interpretado por outrem) do livro), também não influência na qualidade do conhecimento?

A matemática que nos ensina as fórmulas, mas não como chegar a elas, é a melhor forma de adquirirmos conhecimento?

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Sócrates acreditava que a filosofia só podia ser ensinada através do diálogo. O aluno teria que chegar ao conhecimento através de um conjunto de perguntas contraditórias até atingir a compreensão. (copiei não lembro de onde, perdoe-me, autor.)

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Ou será que a volta ao "primitivo" da comunicação faz parte do ciclo evolutivo?

- nossa comunicação começou muito simples (desenhos na caverna e línguas primitivas); tornou-se mais complexa; complexa demais para grande parte das pessoas; democratização da informação pela educação das pessoas; democratização da informação pela simplificação ortográfica e gramatical (volta ao estágio primitivo)...

Talvez eu tivesse economizado alguns “será” se tivesse lido mais alguns textos do Aldo (preciso de e-ink!) e o livro do Vygotsky que jaz sobre a minha mesa...

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