quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um tabuleiro de damas e meia tarde livre





Se pensarmos num tabuleiro de Damas como um cartão perfurado (ou um CD-ROM), cada casa sem peça poderia ser o “0” e cada casa com peça “1” (vice-versa) - ou peças brancas o “0” e as pretas o “1”... Não importa tanto, porém vamos usar o primeiro exemplo por funcionar melhor aqui...
- Se um jogadar anda com uma peça, a casa onde estava vira “0” e a para onde foi passa a ser “1”. Nesse caso ocorreu uma mudança na posição (eixos).
- Ainda que coma a peça adversária, e dessa forma passem a existir menos “1”, não há, necessariamente, perda de informação, apenas alteração. É como se registrasse uma nova informação no suporte (tabuleiro) por meio da nova combinação de “0” e “1”;

















Para que isso? Sei lá!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Shades on guitar

Album que me tirou do ostracismo! De volta ao ranking 1.000 mais ouvidos!
#818 nessa semana (e só nessa)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mighty Elftor!

Relembrando um quadrinho internético muito bom o Elftor! Pena que aparentemente parou em 2006...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Minhas impressões do Forum de Obras Raras e Coleções Especiais


Acabo de retornar do evento “Forum de Obras Raras e Coleções Especiais”, ocorrido na UNICAMP nos dias 06 e 07 de outubro na cidade de Campinas, conhecida como a “São Francisco Brasileira” (o que, aposto, deixou a minha senhora muito mais despreocupada).

Que venha o primeiro dos lamentos: O tal distrito/bairro de São Geraldo, onde fica a UNICAMP, é quente como o RJ. Levei um casaco pesado só para a minha mochila ficar mais difícil de colocar no bagageiro do avião e para fortalecer os músculos intercostais durante as várias caminhadas que empreendi. 

O Forum:

Pelo título, eu e a minha imensurável ignorância inferímos que o fragmento “Coleções Especiais” traria as coleções arquivísticas. Ledo engano. De acordo com a provavelmente óbvia porém salutar explicação de Ana Virgínia Pinheiro[1], Bibliotecária da Biblioteca Nacional, as tais “coleções especiais” são acervos que, apesar de não terem grande valor comercial como as obras raras têm, possuem inestimável representatividade cultural e “memorial”[2]. Nas minhas anotações está como exemplo disso o acervo Sérgio Buarque de Holanda, que não tem grandes obras raras mas possui forte apelo por conta do autor da coleção – mas não indiquei se o exemplo partiu de mim ou da palestrante.

Resumindo:
Ví um monte de fotos de livros e ouvi apaixonadas palavras de bibliófilos. Um culto à sacralização do livro.

Dentre as gratas surpresas que tive:[3]

1ª palestra – Thomas Cohen – Biblioteca Oliveira Lima – Universidade Católica de Washington

O receio dele em torno da “privatização da cultura”[4] que acontece nos EUA. O Google está se tornando o responsável por vários acervos, vide Google Books, que antes era responsabilidade de órgãos públicos. Hoje, o acesso é grátis... mas e amanhã?

Harvard fez um contrato de digitalização do acervo com a seguinte condição: A firma tem o direito de comercialização por 5 anos, após isso deve franquear o acesso às imagens digitais.

Afirmação mais controversa do forum: Digitalização não é preservação. É instável.
Outros palestrantes, em suas apresentações, discordaram por razões óbvias: Digitalização pode não ser um ato de preservação direta, mas indiretamente é.


2ª palestra – Ana Virgínia Pinheiro - Biblioteca Nacional

- Livros raros são continente e conteúdo. Informação implícita e explícita. “A coleção traz o DNA intelectual do colecionador”


3ª palestra – Beatriz Haspo – Biblioteca do Congresso – EUA

- Vão “arquivar” (a biblioteca do congresso) todos os “tweets”...


4ª palestra – Pedro Puntoni – Brasiliana USP

- Google Books ameaça a Europa. 

- Postura pública versus postura privada

- Tramita projeto de lei que permitirá digitalizar obras mas dar acesso apenas na instituição, assim como uma biblioteca “normal”. 

- A lei de direitos autorais dá o prazo de 70 anos a partir da data de publicação para franquear acesso à obras coletivas (periódicos, por exemplo), enquanto para as demais são 70 anos da morte do autor.

6ª palestra – Pedro Correa do Lago e Ruy Souza e Silva – Bibliófilos

- O papel do colecionador privado na preservação de livros e na formação das bibliotecas públlicas.[5]


7ª palestra – Ingrid Beck

- Controle de pragas não é conservação preventiva, é conservação curativa

- Uma boa política institucional deve ser balizada pela legislação e nos conceitos da área.

- Modelo interessante: Preservation Policy of National Library of Australia

- Estantes de Madeira e o efeito tampão (buffer): Liberam pouca acidez; absorvem o excesso de umidade do ar e liberam quando fica muito seco. É a velha questão da estabilidade climática mesmo que num ambiente não ideal.

- Não encadernar livros raros. Os danos no suporte são a história do mesmo. Ela deu como exemplo os livros que foram escondidos em minas de sal na segunda guerra.


8ª palestra – Ana Maria de Almeida Camargo – USP

A única palestra que fugiu do universo da biblioteconomia mas sem deixar de falar de livros. Falou sobre a integridade dos conjuntos documentais. 

- Relatou que a programação foi toda voltada para acervos bibliográficos

- Não existe a definição “obras raras” em acervos arquivísticos.

- “Os arquivos são corpos obesos” Manuel Vasquez. Daí a necessidade da avaliação.

- Abordagem arquivística dos acervos biblioteconomicos.

- Acervos são fragmentados quando os livros vão para a biblioteca, as peças para museus e os documentos para os arquivos e não é mantida relação entre eles por meio dos instrumentos de pesquisa.

- “Tudo o que não fica em pé vai para o arquivo!”

...
Apesar de ser arquivista e de tudo que escrevi, nada tenho de uma possível e esperada rivalidade para com biblioteconomia e museologia. Acredito que, apesar de tratarem de formatos e suportes diferentes, os três têm o mesmo material de trabalho – informação – e mesmo objetivo – acesso à informação – embora se utilizem de conceitos e técnicas particulares para tanto.[6]
·         Ponto postivo foi ter  conseguido comprar o livro “Ecolalias”, de Daniel Heller-Roazen, direto na editora (UNICAMP). Bem mais barato do que eu conseguiria aqui no RJ.


[1] Posso estar enganado, mas acho que ela
[2] Olhando agora, dá para dizer que essa idéia é expansível para arquivos...
[3] Algumas em razão da minha ignorância em torno de certos assuntos, outras por serem curiosidades interessantes.
[4] Não com essas palavras
[5] Eu nunca havia pensado nisso.
[6] Nos momentos de divagação imagino que a ciência seja a “Ciência da informação” e arquivologia, biblioteconomia e museologia técnicas para atingir um objetivo.

  ©Template por Dicas Blogger Modificado por mim!

TOPO