quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Ciência de Informação, Memória e Esquecimento de Silvana Drumond Monteiro e Ana Esmeralda Carelli e Maria Elisa Valentin Pickler



Li hoje (no busão) o artigo da DGZ dez/2008 “A Ciência de Informação, Memória e Esquecimento” por Silvana Drumond Monteiro Ana Esmeralda Carelli e Maria Elisa Valentin Pickler, e percebi  que se o tivesse lido um ano atrás, o meu texto “Aldeia P2P” poderia estar muito mais completo – ou talvez eu tivesse desistido de escrevê-lo...

Enquanto não tomo vergonha na cara e reescrevo o trabalho na tentativa de fazer um artigo e não um folheto,colocarei umas observações aqui.

...

Poderia ter falado diretamento sobre memória (tanto biológica quanto social, técnica etc.):

Poderia ter esta citação legal sobre memória (sob o ponto de vista da biologia):

 “memória é a capacidade que certos seres vivos têm de armazenar, no sistema nervoso, dados ou informações sobre o meio que os cerca, para assim modificar o próprio comportamento.” (Chapouthier, 2005 apud CARELLI, PICKLE e MONTEIRO).

Para o 5º e 6º parágrafos do meu texto...

Iziquierdo afirma que memória humana precisa esquecer para não se sobrecarregar, que esquecemos para poder pensar. (CARELLI, PICKLE e MONTEIRO)  

Isso me lembra o conto "Funes, o memorioso", de Borges:


“Suspeito, contudo, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes não havia senão detalhes, quase imediatos.”

Mais do Izquierdo sobre memória (biológica) que eu poderia ter usado para dar volume:

• memória de trabalho ou operacional: “... é a que usamos para entender a realidade que nos cerca e poder efetivamente formar ou evocar outras formas de memória.” ( Izquierdo, 2004, p.23); não produz arquivos, pois as informações desaparecem em segundos ou, no máximo, minutos. A memória de trabalho é o instrumento que possuímos para analisar a realidade, e seu funcionamento é constante, mas é, por sua definição, fugaz. O esquecimento rápido é sua propriedade fundamental;

• memória de curta duração: é a memória que dura no máximo seis horas, o suficiente para que se possa formar a memória de longa duração. A memória de curta duração serve apenas para manter a informação disponível durante o tempo que requer a memória de longa duração para ser construída. Serve ao propósito de um albergue provisório para a informação que depois poderá ou não ser armazenada como memória mais estável ou permanente; corresponde ao que William James (1980) denominava memória primária;

• memória de longa duração ou remota: essa memória demora horas para ser construída e pode durar anos, ou décadas. A maioria de nossas memórias de longo prazo tem uma carga emocional agregada, pois como observa  Izquierdo (2004), nós gravamos melhor, e temos uma tendência muito menor a esquecer as memórias de alto conteúdo emocional. (IZQUIERDO 2004 apud CARELLI, PICKLE e MONTEIRO) 


Essa do Fields também é muito boa:

“As memórias têm origem nas conexões entre os neurônios, pontos de contato que recebem a denominação de sinapses. Quando uma sinapse é ativada, o fortalecimento temporário observado na formação da memória de curto prazo é criado. Nesse caso, o efeito dura apenas de minutos a horas. Para as memórias de longo prazo, as sinapses tornam-se permanentemente fortalecidas. (Fields, 2005 apud CARELLI, PICKLE e MONTEIRO).”
Seguindo para essa:

“Segundo Fields (2005), quando a importância de um acontecimento é grande o bastante, ou ele se repete vezes suficientes, as sinapses fazem com que o neurônio dispare impulsos fortes e repetidos, com a finalidade de que o evento seja gravado.” (apud CARELLI, PICKLE e MONTEIRO)
No meu texto eu poderia ter usado com analogia ao Bit Torrent da seguinte forma: 

Analogamente às sinapses, quanto mais usuários (peers) diferentes tiverem consigo um mesmo documento, maior a chance de ele (documento) ser gravado, ou seja, preservado.


Essa sobre Memória escrita também é boa: (para o 3º parágrafo do meu texto)
“Os suportes de inscrição dos fatos (a argila, as tábuas de cera, o pergaminho, o papiro ou o papel), representaram uma extensão da memória biológica humana. Assim, a escrita estendeu a memória biológica transformando-a em grande rede semântica de memória de longo prazo. “O corpus do passado encontra-se definitivamente preservado.” (Lévy, 1993, p. 98 apud CARELLI, PICKLE e MONTEIRO).”
Na P2P, a informação (ou memória) estaria escrita (e inscrita) num suporte, mas armazenada numa extensão da memória do indivíduo, o computador pessoal...

E, só para corroborar com a minha afirmativa...

“Antes de ater-nos à memória digital em rede, cabe notar que, da mesma forma que a escrita era considerada uma extensão da memória biológica humana, os computadores, com suas possibilidades de registro, armazenamento e recuperação de dados, são vistos, muitas vezes, como metáforas da memória.” (CARELLI, PICKLE e MONTEIRO)
Esse para quando falo imprecisamente sobre um "nova oralidade"...
“O esquecimento, entre outras características, aproxima a sociedade oral da sociedade digital.” (CARELLI, PICKLE e MONTEIRO)
 Apesar de eu não ter aproximado a inet da oralidade pelos mesmo motivos que os autores supracitados, dá para manter...


Poderia ter colocado algo mais sobre o ambiente que estudei (inet)

“O ciberespaço é um ambiente inconstante e virtual, no qual os dados se encontram em interminável movimento e se sucedem, se modificam, se interagem e se excluem. No ciberespaço a questão da preservação da informação e do conhecimento é questionada, pois, estando no ambiente virtual, não há garantias de que uma informação esteja disponível após certo tempo. O ciberespaço, devido as suas características intrínsecas, torna evidente o esquecimento, isso porque a preservação, nesse meio e neste momento, não é um fator essencial.” (CARELLI, PICKLE e MONTEIRO)

Poderia ter usado a metáfora do computador para Ciências Cognitivas:

“Essa movimentação, entre os modelos de memória e os deslocamentos semânticos relacionados às tecnologias, suscita-nos três categorias: a preservação (retenção), lembrança (ou recuperação) e o esquecimento. Enquanto a memória biológica define-se como faculdade mental de registro e, na armazenagem de informações no cérebro para posterior revocação (lembrança), a memória registrada seria todo o legado preservado de um povo, ao longo dos tempos. Nessa perspectiva, o esquecimento é inerente a essas memórias, embora se faça presente com mais freqüência em um ou outro caso, conforme trataremos ao longo deste artigo.” (CARELLI, PICKLE e MONTEIRO)
O meu novo trabalho poderia se chamar "Memórias, cognição e tecnologia (bit torrent): Considerações em torno do cyberspaço conhecido como Internet."

Hahahahahahahahahah

Mais uma vez, o link para o meu texto Aldeia Peer to Peer

sexta-feira, 3 de junho de 2011

CONARQ Experience

Apesar do título imbecil, o post não é dos piores...

Nunca entendi por que algumas classes da TTD Atividade Meio do CONARQ têm dois ou mais prazos de guarda diferentes num mesmo código de classificação!


Cito:
021.2 - EXAMES DE SELEÇÃO
022.11 - [CURSOS] PROMOVIDOS PELA INSTITUIÇÃO
...

Na hora de colocar isso num aplicativo que relacione a classe ao prazo de guarda, a gente se vê obrigado a expandir o código de classificação para poder atribuir os prazos de guarda diferentes... Nisso acabamos destruindo certas relações hierárquicas para não termos que criar "classes cabeçalho" e subclasses, distanciando-nos ainda mais do código original...


021.2 - EXAMES DE SELEÇÃO - (CONCURSOS PÚBLICOS) PROVAS E TÍTULOS, TESTES PSICOTÉCNICOS E EXAMES MÉDICOS (6anos - eliminação)

expandindo...
021.21 - CONSTITUIÇÃO DE BANCAS EXAMINADORAS, EDITAIS, EXEMPLARES ÚNICOS DE PROVAS, GABARITOS, RESULTADOS E RECURSOS (11anos - permanente)

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022.11-  [CURSOS] PROMOVIDOS PELA INSTITUIÇÃO (5anos - eliminação)
O que entra aqui que não entraria na segunda parte da descrição da classe (que é de guarda permanente)?

expandindo...
022.111 - PROPOSTAS, ESTUDOS, EDITAIS, PROGRAMAS, RELATÓRIOS FINAIS, EXEMPLARES ÚNICOS DE EXERCÍCIOS, RELAÇÃO DE PARTICIPANTES, AVALIAÇÃO E CONTROLE DE EXPEDIÇÃO DE CERTIFICADOS (10anos - permanente)


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Saber versus conhecimento


Pois é:

Planejei tirar um tempo para me dedicar exclusivamente à leitura – e assim, quem sabe, ter o que escrever, mas sucumbi ao mal dos “planejadores”: me limitar ao planejamento...


Algo que está por vir só pode dar errado quando estabelecemos de antemão o que seria o correto.


Resumindo, pouco ou nada li, me vi entre a encheção de saco de alugar um ap – e ficar refém da boa vontade dos entregadores de móveis/eletrodomésticos, e a idéia de me desaventurar por uma nova graduação, ao invés de fazer o que seria mais esperto – me preparar para o Mestrado!

No ímpeto de correr atrás do prejuízo causado pelo fracasso prematuro do meu plano inicial, folheei agora há pouco uma revista que comprei entre 2007 e 2009 (a droga da revista nem indica o ano em que foi produzida). Revista Educação – Especial: Biblioteca da Professor. Lacan pensa a Educação. Certamente a comprei pelo o que está escrito na parte inferior da capa: “Saber versus Conhecimento”*.

Do pouco que folheei quase nada entendí – psicanalítico demais para mim, mas resolvi extrair alguns trechos de que gostei...
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:-p


Para Lacan...

- “O mestre não ensina ex cathedra uma ciência já pronta, dá a resposta quando os alunos estão a ponto de encontrá-la.”

- “(...) o educador deixe de ser aquele que completa o saber, deixando um vazio de saber em cujas rasuras e lacunas novos saberes são produzidos (...)”.

- “Seria o saber que falha ou os pontos de não-saber o motor que move o conhecimento?”

- "o inconsciente é um saber que trabalha - as vezes anulando o sujeito, prescindindo dele. Assim, para a psicanálise, o sujeito não tem controle sobre o saber, sobre o desejo de saber".

-"O que a psicanálise apresenta de inédito aos saberes que se constituem após o passo cartersiano é que há saber que não se sabe. Freud parte do sujeito evanescente do ato falho, do sonho, indicando que o inconsciente é um saber que comporta para o sujeito pontos de não-saber, modificando assim a noção de saber já existente."

- "O saber e o ato de conhecimento não estão apartados da subjetividade do sujeito e ocorrem tendo como pano de fundo o 'drama particular' do sujeito, que advém do modo como ele se arranja com sua verdade e do mal-estar daí decorrente, que também, e paradoxalmente, como Freud o demonstrou, não deixa de ser o motor do desejo de saber e da criação".

- O "fenômeno" do saber poderia ser exemplificado assim: “alguém lhe apresenta coisas que são significantes e, da maneira como estas lhes são apresentadas, isso não quer dizer nada, e então vem um momento em que vocês se libertam, e de repente aquilo quer dizer alguma coisa”.


É possível notar nos trechos selecionados que há muito em comum com CI - e até algo próximo às teorias de HIB, principalmente quando menciona o "motor do desejo de saber e da criação".



SANTIAGO, A. L. ; FERREIRA, Tânia. . Saber e conhecimento - Algo que se produz como um clarão. LACAN PENSA A EDUCAÇÃO, Rio de Janeiro, 12 ago. 2009.

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