sábado, 24 de setembro de 2011

O quinto elemento (e umas perguntas minhas)

Às tradicionais necessidades do homem, de ar, água, alimentação e abrigo, o Prof. Platt da Universidade de Chicago, acrescentou um quinto fator essencial à sobrevivência física — a necessidade de novidade. Cada prisioneiro que sofreu confinamento solitário sabe o significado da frase "ficar fora de si". Experiências recentes sobre privações sensoriais tem demonstrado que os seres humanos colocados num ambiente do qual se retira a máxima quantidade de variação sensórial, logo se aproximam da beira da demência. O ser humano não está, pois, constituído de forma a poder existir por muito tempo no vácuo sensorial.

"A quinta necessidade do homem", escreve o Prof. Platt, "é a necessidade de... 'informação', de um fluxo de estímulos contínuo, novo. imprevisível, não redundante, e surpreendente"*. O cérebro existe a fim de organizar e tecer padrões a partir das informações a ele apresentadas e se torna seriamente afetado se esta oportunidade essencial lhe é negada. Esta atividade de organizar a informação não só caracteriza a mente sã mas também é necessária para manter a sanidade.

SHERA, Jesse. Epistemologia Social, semântica geral e bibliteconomia. Tradução de Maria Esther de Araujo Coutinho. Ci. Inf., Rio de Janeiro, 6(1): 9-12, 1977


Desde Gutenberg, tipógrafos e editores sempre se preocuparam em descobrir ou inventar meios melhores e mais precisos de simplificar e acelerar a leitura, a aprendizagem e a transferência de conhecimentos: sinais diacríticos, folhas de rosto, numeração de páginas, capas, sumários, índices, notas de rodapé (EISENSTEIN, 1994; GRAFTON, 1998).

(...)

A invenção da página e do espaço em branco à sua volta, dos capítulos numerados em seqüência, da abertura de parágrafos, da ordem alfabética, dos gráficos, mapas e tabelas, das citações, das bibliografias, dos catálogos de biblioteca, das classificações bibliográficas e de toda uma série de outros padrões de organização e ordenamento do universo do conhecimento permitiu que a escrita e a leitura fossem moldadas de modo a ampliar as chances da mais perfeita geração, recepção e reprodução do saber humano, reduzindo as dificuldades de comunicação e aprendizagem. Todo esse extenso e variado arsenal de meios extraordinários de redução, tradução, adaptação, classificação, uniformização, mobilização e aceleração (LATOUR, 1996, 2000) acabou por produzir um impacto imenso nas modernas concepções de literatura, de educação e de pesquisa científica (EISENSTEIN, 1994). Porque em sua essência todos esses artefatos, técnicas e procedimentos disciplinam nosso pensamento e reduzem o caleidoscópico universo de agentes virtualmente cognitivos que nos rodeia, conformando a maneira como desenvolvemos e aplicamos nossos raciocínios. Assim, quando a criança chega à idade de ir à escola, o conhecimento que lhe é oferecido não é mais tão fragmentado, múltiplo e mutante: ele é filtrado, interpretado, padronizado, organizado e formalizado em currículos, programas, planos de aula, cartilhas, livros didáticos, dicionários, enciclopédias e bibliografias. Todas estas tecnologias e artefatos intelectuais traduzem e limitam a amplitude do universo do conhecimento, reduzindo a sua diversidade, controlando sua fragmentação e permitindo que tenhamos um domínio cada vez maior sobre a natureza e a sociedade.

ODDONE, Nanci. Revisitando a epistemologia social: esboço de uma ecologia sociotecnica do trabalho intelectual. Ci. Inf., Brasília, v. 36, n. 1, p. 108-123, jan./abr. 2007
*Grifo meu
...

Bom, se você chegou até esse ponto, já deve ter percebido - e não se importado - que não se trata de um post sobre o filme com o Bruce Willis...

Vamos às minhas indagações.

Segundo SHERA, os "(...) estímulos externos são necessários para uma adequada operação do sistema nervoso humano (...)", e a para ODDONE (2007) As "(...) técnicas e procedimentos disciplinam nosso pensamento e reduzem o caleidoscópico universo de agentes virtualmente cognitivos que nos rodeia (...)" e assim o "(...)conhecimento que (...) é filtrado, interpretado, padronizado, organizado e formalizado(...), resultando numa limitação da "(...)amplitude do universo do conhecimento(...)".


Será que o excesso de padronização e esquematização da forma como a informação é representada (disponibilizada) não acaba por inibir experiências sensoriais e cognitivas mais ricas? O excesso de linearidade e de "lugar comum" da FORMA, não acaba por reduzir a capacidade de "estranhamento" do conjunto total da obra?
Por exemplo: Até que ponto a rígidez formal exigida nos trabalhos acadêmicos é benéfica e não um fator limitador negativo?


Será que essa padronização em prol de um conhecimento controlado, não é prejudicial para o aprendizado ao "viciar" a criança desde cedo num limitado número de modelos de contato com a informação?


Será que o aspecto multimídia da web, ao abarcar num único suporte representações que excitam os sentidos da visão e audição, e sua possível maior riqueza se comparada aos suportes apenas escritos ou sonoros, por exemplo, traz vantagem na formação do conhecimento no sujeito através uma experiência sensorial maior? E além disso, será que o consumo reiterado da informação multimídia, ao proporcionar uma interação sensorial mais completa, influencia positivamente a capacidade cognitiva geral do indivíduo?

Uma interessantíssima passagem de Pierre Levy  (apud ODDONE) acerca da era da informática:

[…] Não é a primeira vez que a aparição de novas tecnologias intelectuais é acompanhada por uma modificação nas normas do saber. […] De que lugar julgamos a informática e os estilos de conhecimento que lhe são aparentados? Ao analisar tudo aquilo que, em nossa forma de pensar, depende da oralidade, da escrita e da impressão, descobriremos que apreendemos o conhecimento por simulação, típico da cultura informática, com os critérios e os reflexos mentais ligados às tecnologias intelectuais anteriores. Colocar em perspectiva, relativizar as formas teóricas ou críticas de pensar que perdem terreno hoje, isto talvez facilite o indispensável trabalho de luto que permitirá abrirmo-nos a novas formas de comunicar e de conhecer. […] (LÉVY, 1993, p. 19)"

*Grifo meu
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Em vias de completude de entendimento, seguem os paradoxais "excertos na íntegra" das obras de SHERA e de ODDONE:

Às tradicionais necessidades do homem, de ar, água, alimentação e abrigo, o Prof. Platt da Universidade de Chicago, acrescentou um quinto fator essencial à sobrevivência física — a necessidade de novidade. Cada prisioneiro que sofreu confinamento solitário sabe o significado da frase "ficar fora de si". Experiências recentes sobre privações sensoriais tem demonstrado que os seres humanos colocados num ambiente do qual se retira a máxima quantidade de variação sensórial, logo se aproximam da beira da demência. O ser humano não está, pois, constituído de forma a poder existir por muito tempo no vácuo sensorial.

"A quinta necessidade do homem", escreve o Prof. Platt, "é a necessidade de... 'informação', de um fluxo de estímulos contínuo, novo. imprevisível, não redundante, e surpreendente"*. O cérebro existe a fim de organizar e tecer padrões a partir das informações a ele apresentadas e se torna seriamente afetado se esta oportunidade essencial lhe é negada. Esta atividade de organizar a informação não só caracteriza a mente sã mas também é necessária para manter a sanidade.

Cachorrinhos que foram mantidos isolados de estímulos externos provaram ser sensivelmente mais estúpidos do que cachorros criados em "condições normais". A capacidade total do cérebro humano de manejar as informações é, lógico, agudamente distinta da do animal mais avançado (na escala biológica) e, ainda que variando de pessoa para pessoa, permanece aproximadamente constante para cada indivíduo — como a capacidade de uma pipa d'àgua através da qual só possa passar uma certa quantidade
de água. Mas para o cérebro humano, ao contrário da pipa, existe um mínimo irredutível abaixo do qual o input da informação não pode cair sem que haja prejuízo. A atenção pode divagar — e frequentemente divaga, como todo professor sabe — mas não pode atrever-se a cessar.

Os estímulos externos são necessários para uma adequada operação do sistema nervoso humano. Sem eles o cérebro não pode raciocinar, pois ele gera novas informações através de indicações e analogias, e resolve problemas fragmentando-os em partes manejáveis com conotações familiares. Além do mais, o cérebro não somente pesquisa e processa as informações a ele telegrafadas pelos sentidos, mas também conclui. Esta é a habilidade de preencher as lacunas informacionais de forma
a ser efetuada uma conclusão ou formulado um conceito, como Northrop demonstrou, a despeito do fato de que um fragmento da evidência sensorial possa ser esquecido. Assim, as informações podem ser inferidas, de uma certa maneira independentemente da percepção sensorial.

SHERA, Jesse. Epistemologia Social, semântica geral e bibliteconomia. Tradução de Maria Esther de Araujo Coutinho. Ci. Inf., Rio de Janeiro, 6(1): 9-12, 1977


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Desde Gutenberg, tipógrafos e editores sempre se preocuparam em descobrir ou inventar meios melhores e mais precisos de simplificar e acelerar a leitura, a aprendizagem e a transferência de conhecimentos: sinais diacríticos, folhas de rosto, numeração de páginas, capas, sumários, índices, notas de rodapé (EISENSTEIN, 1994; GRAFTON, 1998). No decorrer da história da humanidade e ainda hoje, escribas, copistas, iluministas, encadernadores, editores, impressores, revisores e muitos outros trabalhadores especializados procuraram desenvolver técnicas e metodologias que, entre outros efeitos, aprimorassem a legibilidade dos textos, aumentassem a velocidade da leitura e facilitassem a disseminação dos conhecimentos. Para Frohmann, por exemplo, uma imagem familiar das vantagens da estabilidade tipográfica alcançada pela cultura impressa é a dificuldade de coordenar reuniões quando cada participante possui sua própria cópia do mesmo documento obtido na internet, mas cada versão tem uma numeração de páginas diferente (FROHMANN, 2004, p. 17). 

A invenção da página e do espaço em branco à sua volta, dos capítulos numerados em seqüência, da abertura de parágrafos, da ordem alfabética, dos gráficos, mapas e tabelas, das citações, das bibliografias, dos catálogos de biblioteca, das classificações bibliográficas e de toda uma série de outros padrões de organização e ordenamento do universo do conhecimento permitiu que a escrita e a leitura fossem moldadas de modo a ampliar as chances da mais perfeita geração, recepção e reprodução do saber humano, reduzindo as dificuldades de comunicação e aprendizagem. Todo esse extenso e variado arsenal de meios extraordinários de redução, tradução, adaptação, classificação, uniformização, mobilização e aceleração (LATOUR, 1996, 2000) acabou por produzir um impacto imenso nas modernas concepções de literatura, de educação e de pesquisa científica (EISENSTEIN, 1994). Porque em sua essência todos esses artefatos, técnicas e procedimentos disciplinam nosso pensamento e reduzem o caleidoscópico universo de agentes virtualmente cognitivos que nos rodeia, conformando a maneira como desenvolvemos e aplicamos nossos raciocínios. Assim, quando a criança chega à idade de ir à escola, o
conhecimento que lhe é oferecido não é mais tão fragmentado, múltiplo e mutante: ele é filtrado, interpretado, padronizado, organizado e formalizado em currículos, programas, planos de aula, cartilhas, livros didáticos, dicionários, enciclopédias e bibliografias. Todas estas tecnologias e artefatos intelectuais traduzem e limitam a amplitude do universo do conhecimento, reduzindo a sua diversidade, controlando sua fragmentação e permitindo que tenhamos um domínio cada vez maior sobre a natureza e a sociedade. Portanto, antes de acreditar que nossa maior ou menor capacidade de aprender e de criar se deve principalmente às habilidades cognitivas que nos são inatas, é preciso reconhecer que na verdade essa capacidade decorre primeiramente do trabalho daqueles que, antes de nós, em uma seqüência gradual e crescente de complexidade, inventaram e disponibilizaram modos e técnicas eficazes de pensar, de estudar, de usar essas habilidades cognitivas para guardar – em nossa memória, em nossos hábitos ou em repositórios de recursos que trazemos sempre à mão – conhecimentos que nos ajudem a dominar nosso meio ambiente e a sobreviver com tranqüilidade.

ODDONE, Nanci. Revisitando a epistemologia social: esboço de uma ecologia sociotecnica do trabalho intelectual. Ci. Inf., Brasília, v. 36, n. 1, p. 108-123, jan./abr. 2007

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Tecnofobia, por Isaac Asimov

Isaac Asimov*, no prefácio da coletânea "Histórias de Robôs volume 3" (Machines that think, no original) discorre sobre o medo que as pessoas têm das novas tecnologias que é fruto, principalmente, do medo do que é novo, da mudança.

     Essa tecnofobia provavelmente sempre existiu, uma vez que não há sentimento mais natural do que desconfiar de tudo o que é novo e apegar-se ao que foi 'testado e aprovado', ou seja, àquilo que já nos acostumamos. A experiência histórica, porém, demonstra que a aceitação da novidade é tão lenta e paulatina que a tecnofobia limita-se a ser apenas uma espécie de extravagância que atrasa ainda mais o progresso, aumentando a lentidão do que já é lento por natureza.
    Quando os algarismos arábicos começaram a ser usados na Europa em 1202, por iniciativa de Leonardo Fibonacci, eram manifestamente mais práticos, em todos os sentidos, que os romanos. No entanto, os eruditos e os comerciantes opuseram resistência tão grande à inovação, que levou séculos para que fosse aceita sem reservas.
(...)
    O mundo inteiro, por sua vez alia-se no repúdio à reforma do calendário, embora o que se encontra atualmente em vigor, com seus meses de extensão variável e a relação inconstante dos dias da semana com os do mês, produza uma complexidade tola e desnecessária. Da mesma forma, os países de língua inglesa não se submetem a nenhum sistema de grafia racional, apesar da frequência de casos que, no existente, reduzem as palavras inglesas a ideogramas.
    Mais estranha ainda é a tenaz oposição a qualquer modificação no teclado das máquinas de escrever, embora o padrão universal de hoje em dia seja um disparate criado pelo inventor do instrumento por motivos banais¹. O mais avançado dos computadores atuais (inclusive o que estou usando neste instante) emprega esse teclado. Na realidade, ele diminui a velocidade datilográfica por causa da utilização desproporcional das duas mãos², principalmente ao favorecer a maior aplicação da canhota num mundo em que noventa por cento da população é mais hábil com a direita.
    Por que essa atitude refratária a mudanças?
    Simplesmente pelo medo que se tem do processo de reeducação! As pessoas adultas gastam infinidades de horas para se habituar com polegadas e milhas, com os vinte e oito dias de fevereiro, com letras que não se pronunciam, em night e debt por exemplo, com exercícios de datilografia e sabe Deus mais o quê. Introduzir algo completamente inédito implica recomeçar tudo de novo, voltar a estaca zero da ignorância e correr o velho risco, tão conhecido, de possíveis fracassos.
(...)
    Motivo bem mais justo para a tecnofobia e que conta com o maior número de simpatizantes é o medo de que o progresso tecnológico tire o emprego de muita gente. Esse aspecto se tornou primordial quando os avanços passaram a ser tão rápidos que ficaram praticamente incontroláveis.
(...)
    (...) Quando as máquinas têxteis começaram a ser utilizadas e o número reduzido de operários nas fábricas passou a produzir mais do que a maioria dos habitantes que trabalhavam à mão em casa, os novos desempregados provocaram tumultos. Não perceberam que o inimigo era uma sociedade que pouco se importava com "classes inferiores" e não sentia a mínima responsabilidade pelos pobres.³


1 e 2: A história que conheço é de que o padrão QWERTY foi criado porque organizando o teclado em ordem alfabética a digitação era tão veloz que travava os tipos das máquinas de escrever mecânicas.

3: Se a produção aumenta, e também o lucro, por que demitir os empregados "substituídos" pelas máquinas? Para ganhar AINDA mais, ora... O único empecilho é que isso não é lá muito sustentável... se as pessoas não têm emprego, não tem como consumir... logo, o lucro da fábrica tende a cair...


*ASIMOV, Isaac; WARRICK, Patricia S.; GREENBERG, Martin H. Histórias de Robôs (Machines That Think, no original). Tradução de Milton Persson. Porto Alegre: LP&M,2007

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Portais de música gratuita em CC

Em janeiro de 2010, no post A eminente falência do Jamendo, eu indiquei algumas opções para quem ficaria orfão...

Bom, quase dois anos se passaram, o Jamendo não nos abandonou e agora o Sectionz, que eu também uso, anuncia que não mais poderá continuar.


Parece que nem todas as iniciativas dessa natureza conseguem vingar. Será o bom e velho Darwinismo Mercadológico (hahahaha) ou será que a modalidade não é sustentável como NEGÓCIO?


Histórico do causo do Sectionz:
Aqui ele fala dos custos para a manutenação do site.
http://www.sectionz.com/home_detail.asp?SZID=832&keywords=Sorry+Guys%2C+I+Can%27t+Keep+SectionZ+Going+Without+Major+Investment

Aqui sobre a idéia de colocar o projeto no Kickstarter.com e ver se consegue "patrocínio".
http://www.sectionz.com/home_detail.asp?SZID=833&keywords=We+Are+Afloat+and+Have+a+Plan

domingo, 18 de setembro de 2011

Bolha Imobiliária no Brasil - Pague o justo para não pagar o pato.

Tem quem não acredite e tem quem não se importe.

mas o http://www.bolhaimobiliaria.com/ pareceu-me muito bom para se inteirar de uns fatos.

De quebra me proporcionou o ótimo vídeo abaixo.
Espanhistão



Qualquer semelhança pode ser mera coincidência... tsc

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Criatividade...

Estava arrumando a minha pequena zona de encadernados quando me vi folheando o livro The Future of Ideas, do Lawrence Lessig.

Nunca tive coragem de lê-lo ponta a ponta, e continuarei nesse débito por mais algum tempo... Mas achei uma parte bem interessante ontem.

Nem tão cedo traduzirei o trecho.

CREATIVITY IN THE DARK AGES
Put yourself back in the dark ages, the time before the Internet took off—say, the 1970s—and ask: What was the environment for creativity then? What was required of a creator or innovator to bring his or her creativity
to market? What limits were imposed? I want to consider this question in two contexts—first the arts and then commerce.

The Arts
We can understand the environment for creativity in the arts with the same three layers that Benkler describes when talking of a communications system. Like a communications system, creativity in the arts is affected by
constraints at the physical, code, and content layers. To author, or to create,requires some amount of content to begin with, to which the author adds a creative component, which, for a few, is then published and distributed.

c o n t e n t
The content an author must draw upon varies with the “writing.” Some part is new—this is the part we think of as “creative.” But as many have argued, we’ve come to exaggerate the new and forget that a great deal in the “creative” is actually old.2 The new builds on the old, and hence depends, to a degree, on access to the old. Academics writing textbooks about poetry need to be able to criticize and hence, to some degree, use the poetry they write about. Playwrights often base their plays upon novels by others. Novelists use familiar plots to tell their story. Historians use facts about the history they retell. Filmmakers retell stories from our culture. Musicians write within a genre that itself determines how much of the past content it needs
to be within that genre. (There is no such thing as jazz that does not take from the past.) All of this creativity depends in part on access to, and use of, the already created.
In our present legal regime, some of this content is free; some is controlled. A poet has a copyright on his or her poetry. Others cannot simply take and reproduce it without the copyright holder’s permission. The same
with plays and novels: A play that is close enough to the plot of a novel is a derivative work. Copyright law gives the copyright holder control over these derivative works. Musical chords cannot be controlled; the design of public buildings cannot be copyrighted. These bits of content in these traditions
are free, even if the control created by copyright is strong. (...)

LESSIG, Lawrence. The Future of Ideas. Random House, Inc. Canadá, 2001. Pg 104 e 105

Link para download da obra.

sábado, 3 de setembro de 2011

Babel, DOI e computadores

Daniel Heller-Roazen lança no último capítulo do “Ecolalias”¹ a idéia de que vivemos na base da Torre de Babel, onde os indivíduos, “(...) enquanto fossem cercados pelo ar que o decreto divino alterara, continuariam a esquecer, permitindo ao esquecimento permanecer em seu meio; eles, e seu filhos depois deles, respirariam ainda o ar do esquecimento que lhes fora imposto.” (p.192) e que “não é certo que tenhamos deixado a legendária torre(...)” (p.192).


...

Três dias após ter lido isso me veio uma idéia enquanto eu pensava na DOI - Desorganização Informacional (ver Tadeu Cruz) e na parcela de culpa que os computadores teriam nela, considerando superficialmente que "o meio é a mensagem":


Não é por temermos uma Babel Cibernética (ou Skynet, ehehe) que nossos computadores dividem conosco a condição do esquecimento, é porque os criamos à nossa imagem!




¹ HELLER-ROAZEN, Daniel. Ecolalias: sobre o esquecimento das línguas. Campinas, SP. Editora UNICAMP, 2010. Tradução: Fábio Akcelrud Durão.

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