sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Das calçadas (de Jane Jacobs) para redes socias?

"Sob a aparente desordem da velha cidade, sempre que a cidade funciona bem, há uma ordem maravilhosa que mantém a segurança das ruas e a liberdade da cidade. É uma ordem complexa. Sua essência é a intimidade do uso da calçada, trazendo consigo uma constante sucessão de olhos. Essa ordem é totalmente composta de movimentos e mudança... O balé da calçada da boa cidade nunca se repete, e em qualquer lugar está sempre repleto de novas improvisações." JACOBS

"Mas não há nada simples nessa ordem em si ou com o número assombroso de seus componentes. A maioria desses componentes são especializados de uma forma ou de outra. Eles unem para um efeito conjunto na calçada, que não é especializada em nada. Esta é sua força." JACOBS


O que nos importa nesse texto acerca das calçadas, escrito em 1961, é bom frisar, é que elas seriam uma mídia (meio) de transmissão de informação. O fluxo de informação que (o)corre nas calçadas é participado por diferentes agentes de forma aleatória. Ainda que a micro-mudança que ocorra em cada indivíduo possa não mudar a vida dele, a soma de todas as micro-mudanças possíveis pode influir na soma dos indivíduos - na sociedade (ou grupo), na cidade.

...

Mas hoje, quando as calçadas se estreitam ou somem para dar lugar a estradas e viadutos; as lojas esparsas por shopping centers e as casas e apartamentos por grandes condomínios onde você sai do carro diretamente dentro de casa, como se dá o fluxo informacional citado?

"Individualistamente"? Em microbairros - os condomínos, existe um fluxo incessante de informação. Porém, por não se relacionarem muito com outros condomínios - e com tudo mais, seus fluxos de informação contam com um número reduzido de agentes e, além disso, não são lá muito heterogêneos. Os shopping centers passam por algo muito parecido. As pessoas vão praticamente com o mesmo motivo: entretenimento ou compras (que as vezes se confudem). E também não são tão heterogêneos, uma vez que cada shopping (em cada local, com certos tipos de lojas) tem seu publico alvo - mais uma vez agentes supostamente homogêneos.

Redes sociais na web: Sem entrar na questão do "é melhor ou pior?", seriam as substitutas diretas das calçadas de Jacobs? Conseguirão as redes sociais retroceder no caminho condescendente rumo à plenitude da indústria cultural televisiva que a inet segue, e fazerem o papel que Jane Jacobs atribuiu às calçadas de NY?

**quem quiser conhecer mais sobre a autora:
http://www.janejacobswalk.org/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jane_Jacobs
http://www.arquitetonico.ufsc.br/a-cidade-de-jane-jacobs
http://urbanidades.arq.br/2007/09/jane-jacobs-parques-de-bairro/


JACOBS, Jane. Morte e vida das grandes cidades. São Paulo, Martins Fontes, 2001. (original: The Death and Life of Great American Cities. New York: Vintage, 1961)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Será o fim da divisão silábica?

Hoje, ao "manuscrever" um texto, me dei conta de que a divisão silábica não é mais uma operação que eu execute sem antes ponderar. Estimando rapidamente, eu diria que 99% do que escrevo, na realidade é digitado.

Dei uma olhada em vários artigos (das Revistas Data Grama Zero e CI do IBICT) e não encontrei uma divisão silábica.


Não é tanto uma questão do "deixe o editor de texto fazer por mim", mas de simplesmente deixar de fazer a divisão silábica, uma vez que a maioria do editores de texto possuem a função "justificar"...

Será que a divisão silábica sumirá do ensino como parece que irá ocorrer com a letra cursiva nos EUA?


hhahahahahahahaah

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