segunda-feira, 25 de junho de 2012

Gênero, tipo e espécies documentais e textuais






No "Aula Extra" do Sérgio Nogueira, no jornal Extra de domingo, deparei-me com a seguinte afirmação:

"Tributo é gênero; impostos, taxas e contribuições de melhoria são espécies."

Daí, quis procurar algo que me esclarecesse essa relação entre palavras onde umas são gêneros e outras espécies delas. Até agora nada encontrei, mas encontrei definições de gênero, tipo e espécie textuais as quais quis confrontar com gênero, tipo e espécie documentais.

Primeiro, vamos aos gênero, tipo e espécie documentais.

Gênero documental:

"Reunião de espécies documentais que se assemelham por seus caracteres essenciais, particularmente o suporte e o formato, e que exigem processamento técnico específico e, por vezes, mediação técnica para acesso(1), como documentos audiovisuais, documentos bibliográficos, documentos cartográficos, documentos eletrônicos, documentos filmográficos, documentos iconográficos, documentos micrográficos, documentos textuais."
(ARQUIVO NACIONAL, 2006)


Ou seja, em alguns casos tem a ver com a forma de representação (filmográfico difere, por exemplo, do bibliográfico pela forma como a informação foi representada); ou o suporte (como a diferenciação entre documentos bibliográficos e textuais, uma vez que ambos são escritos, porém os primeiros são mais específicos).

É interessante notar que uma dada informação pode apresentar-se simultaneamente em dois ou mais gêneros. Um filme em .avi é filmográfico pela forma de representação da informação e também digital por conta do suporte e "codificação estrutural"(código binário).

É bom salientar que o exposto acima se trata de opinião minha baseada no que estou pensando agora ao ler a definição de gênero, pois nunca li artigo ou livro que tratasse dessa questão.


Tipo documental:

"Divisão de espécie documental que reúne documentos por suas características comuns no que diz respeito à fórmula diplomática, natureza de conteúdo ou técnica do registro. São exemplos de tipos documentais cartas precatórias, cartas régias, cartas-patentes, decretos sem número, decretos-leis, decretos legislativos, daguerreótipos, litogravuras, serigrafias, xilogravuras."
(ARQUIVO NACIONAL, 2006)


Segundo Bellotto, tipo é "a espécie documental não mais como 'fórmula' e, sim, já imbuido da atividade que o gerou". No meu entender, é a espécie (forma, formulário) em uso, ou seja, preenchida.

Espécie documental:

"Divisão de gênero documental que reúne tipos documentais por seu formato. São exemplos de espécies documentais ata, carta, decreto, disco, filme(2), folheto, fotografia, memorando, ofício, planta, relatório."
(ARQUIVO NACIONAL, 2006)


Segundo Bellotto, espécie é "a configuração que o documento assume de acordo com a disposição e a natureza da informação".

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Gênero Textual
"Quanto aos gêneros, observa-se que muitos vão ter como uma de suas
características o conteúdo. O aceite "é o texto pelo qual pessoas ou instituições
declaram que aceitam convite ou proposta feita por outrem (pessoa, instituição)"
(TRAVAGLIA, 2002a, p.130-131).

Os gêneros convite, convocação, intimação, notificação, (TRAVAGLIA, 2002a, p.139-140, 144-145), que têm o objetivo de solicitar a presença de alguém, sempre contêm um chamado para estar em um
lugar e/ou evento (festa, apresentação/show, conferência, reunião, etc.) para determinado fim (se divertir, se instruir, decidir coisas, cumprir determinado papel dentro de um processo legal na justiça, etc.)."

"É interessante observar que, quando um gênero apresenta diferentes tipos de informação, geralmente essas informações aparecem distribuídas em diferentes partes ou categorias da superestrutura do gênero. No caso da prece, a superestrutura será exatamente marcada pelas informações: louvação + solicitação/pedido + agradecimento."

"Vejamos a superestrutura de um gênero: o requerimento, cujo conteúdo é sempre uma solicitação de algo a que se tem direito por lei. O requerimento apresenta em nossa sociedade a seguinte superestrutura:

a) especificação da autoridade e/ou órgão a quem se dirige a solicitação;

b) qualificação do solicitante;

c) especificação do que está sendo solicitado;

d) especificação do que sustenta o direito e/ou qual a lei que lhe dá o direito, se esta não for amplamente conhecida para o caso em questão e as condições que você preenche de acordo com a lei;

e) especificação de para quem e para onde deve ir a resposta (opcional e se necessário);

f) fecho tradicional;

g) local e data;

h) assinatura do solicitante acima da especificação do seu nome e da condição que ocupa e que é pertinente no caso, se for necessário".


 
Tipo Textual

"O tipo pode ser identificado e caracterizado por instaurar um modo de interação, uma maneira de interlocução (TRAVAGLIA, 1991, capítulo 2), segundo perspectivas que podem variar constituindo critérios para o estabelecimento de tipologias diferentes (TRAVAGLIA, 2001, 2007a, p.101-104). Alguns tipos que podemos citar, divididos em sete tipologias, são: a) texto descritivo, dissertativo, injuntivo, narrativo; b) texto argumentativo "stricto sensu" e argumentativo não-"stricto sensu"; c) texto preditivo e não preditivo; d) texto do mundo comentado e do mundo narrado; e) texto lírico, épico/narrativo e dramático; f) texto humorístico e não-humorístico; g) texto literário e não literário."



Espécie textual

"A espécie se define e se caracteriza" apenas "por aspectos formais de estrutura (inclusive superestrutura) e da superfície lingüística e/ou por aspectos de conteúdo" (TRAVAGLIA, 2001, 2007a, p.104-106)."

"1) os tipos e espécies compõem os gêneros que são os tipelementos que existem e circulam na sociedade;

2) as espécies podem estar ligadas a tipos (como a história e a não-história que são espécies do tipo narrativo) ou a gêneros (como a carta, carta comercial, o ofício, o memorando, o bilhete, o telegrama, o cartão, que são espécies do gênero correspondência);"


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Do pouco que entendi, não há muito o que relacionar entre gêneros, tipos e especies textuais e os documentais. Todavia, permito-me a elaboração de uma, ainda que fraca, relação:

O gênero textual (e também a espécie textual), por aproximação, corresponderia à espécie documental - note que a superestrutura do gênero muito se assemelha à partição diplomática de um documento (protocolo inicial + preâmbulo + exposição + dispositivo etc). No quadro 1, inclusive, há vários gêneros que são descritos por Bellotto como espécies documentais.



BELLOTTO, Heloísa Liberalli. Arquivos Permanente: Tratamento documental. 4ª ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.

Arquivo Nacional (Brasil). Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005. 232p.; 30cm. – Publicações Técnicas; nº 51


TRAVAGLIA, Luiz Carlos.
A CARACTERIZAÇÃO DE CATEGORIAS DE TEXTO:

tipos, gêneros e espécies. São Paulo: Alfa - Revista de Linguística, 2007. Disponível em: http://seer.fclar.unesp.br/alfa/article/view/1426

domingo, 24 de junho de 2012

Segunda lei da termodinâmica, criacionismo e evolucionismo

Sábado agora, num jantar com alguns amigos que trocaram a umbanda pelo cristianismo e, de lambuja, o evolucionismo pelo criacionismo, a discussão mais acirrada foi: "o evolucionismo nega a segunda lei da termodinâmica?"



A segunda lei da termodinâmica, na realidade, o conceito utilizado na discussão, seria a tendência natural que "corpos" (num sistema) têm à desordem. Portanto, se a tendência é o caos, como os seres podem ter evoluído e o ecossistema encontrado certo equilíbrio? E mais, quanto maior essa desordem, maior seria a energia necessária para trazer a ordem.
...É claro que quem criou essa dúvida não pensou em negar também as leis da termodinâmica (e é preciso negá-las para negar o Big Bang)...



Na hora, pouco pude argumentar pois não conheço muito essa questão e não queria gerar mal estar ao questionar dogmas de outrem. Só mencionei "emergência" (quando a ordem emerge de baixo para cima) e sobre o fato de os seres vivos não se encontrarem em um sistema fechado, que é o plano em que a segunda lei age... Ou seja, na questão de um "sistema evolutivo" haveria troca e influência de outros sistemas...



Coincidentemente (e essa coincidência motivou esse post), hoje cheguei a página 145 do livro físics for dummies do Stephen Hawking o "Uma breve história do tempo", que falava justamente da segunda lei da termodinâmica:



Nas palavras de Stephen Hawking:

"a segunda lei da termodinâmica, que estabelece que a entropia de um sistema isolado sempre aumenta e que, quando dois sistemas são somados, a entropia do sistema combinado é maior do que a soma das entropias dos sistemas originais".



No livro, o próprio autor realça o fato de a lei da termondinâmica não ser aplicável a todos os casos, diferentemente da lei de newton sobre a gravidade (pg 148).

Aqui, apesar da citação de Hawking pouco ter me ajudado, já temos:

- as leis da termodinâmica por si sós já colidem com a possibilidade da criação do mundo em 6 dias, homem vindo do barro, mulher da costela do homem etc.;

- a segunda lei lida com sistemas fechados, o que não é o caso do ecossistema e do "fenômeno" evolutivo;

- que a própria palavra "entropia" não é sinônimo de desordem.



Para fechar a discussão (ou aumentar), seguem três sites sobre o assunto: o primeiro traz a tal teoria de que as leis da termodinâmica negam o evolucionismo e os outros dois trazem informações que ajudam aos leigos (como eu) a entender melhor o assunto:



Lá vão eles:


http://christiananswers.net/portuguese/q-eden/edn-thermodynamics-port.html
http://evolucionismo.org/profiles/blog/show?id=2393347%3ABlogPost%3A6617&commentId=2393347%3AComment%3A6988

http://www.evo.bio.br/layout/termo.html

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Informação e segurança pessoal



Hoje, num engarrafamento, eu comecei a reparar como muitas pessoas colam no carro adesivos que representam sua família, indicando gênero e número de filhos. Esse tipo de dado pode ser um prato cheio para gente com má intenção...

...

Uma árvore caindo numa floresta sem ninguém faz barulho?
"Uma pessoa se torna uma pessoa por causa das outras" (ética ubuntu)
“Viver de verdade é viver para os outros.” (frase atribuída a Bruce Lee)

Expomos muita informação, seja nos adesivos de carro ou nas redes sociais. Num show, muitas pessoas parecem mais interessadas em postar vídeos, fotos e comentários do show do que curtí-lo. Só curtirão o show se os outros curtirem? Será isso uma manifestação narcisista ou será que só sentimos que estamos vivos quando os outros sabem disso?

Expomos nossas rotinas, nossos endereços de trabalho e estudo, idades, gostos, onde estamos agora e tudo mais. Mas para quê? Realmente precisamos registrar e divulgar toda essa informação que pouco ou nada acrescente e que ainda pode ser usada contra nós?

quarta-feira, 13 de junho de 2012

LAI (Lei 12.527/2011) etc

Já que tá na moda a tal Lei 12.527/2011, acho que pode ser interessante ler o texto do Michael Cook:
Liberdade de Informação: Influência sobre a prática profissional em gestão de arquivos
http://revistaacervo.an.gov.br/seer/index.php/info/article/view/477/400


O autor discorre sobre os 10 anos da legislação de liberdade de acesso à informação pública no Reino Unido. A semelhança entre a legislação (e ideal) FoI do Reino Unido e a LAI tupiniquim é óbvia.

Apesar do subtítulo ter me feito esperar -em vão- maior aprofundamento na questão da prática profissional, acho que o artigo tem seu valor...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sem assunto









... Assistindo a derrota (até agora) do Flamengo e pensando em escrever algo... Claro que não poderia ser produtivo!..

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